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A minha despedida em Lisboa para Angola e as minhas preces ao Cristo Rei

Ó meu belo Cristo Rei
Aqui me tens a rezar
Eu não me importo de ir
Mas também queria voltar

Cristo Rei bem lá no alto
Para nós estava olhar
Eu virei-me para ele
E comecei a rezar

Havia lá tanta gente
Mas eu não tinha ninguém
Pois a quem eu queria ver
Era a minha santa mãe

Eu estava ali sozinho
Sem ninguém para abraçar
Encostei-me ali ao cais
E comecei a chorar

No cais de alcântara ficaram
Pedaços de mim também
Por não ter a minha beira
A minha querida mãe

E lá começava o Niassa
Bem alto a buzinar
Os cabos desamarrados
Para começar a andar

Lá no cais tudo chorava
Eu também quero falar
Eram tantos lenços brancos
Para nós estavam a acenar

Lá íamos pelo Tejo acima
Devagar a navegar
Ouvíamos tantos gritos
E muita gente a chorar

Tudo isto era triste
E ate desilusão
Soldado que ia para a guerra
Era carne para canhão

Poema Colocado em 27-05-1966

Por Francisco Guedes Poemas

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